quinta-feira, 5 de julho de 2007

"Era casa era jardim, noites e um bandolim"

Uma das canções mais gracinhas que já ouvi... Quem tiver oportunidade ouça!


 


ERA CASA ERA JARDIM

Composição: Vital Farias

Era casa era jardim
Noites e um bandolim
Os olhares nas varandas
E um cheiro de jasmim...
Era um telhado um pombal
Melodia e madrigal
E ninguém nem percebia
Que o real e a fantasia
Se separam no final...
Lara-larara-larara...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

"Bota uma flor no cabelo com alegria e zelo para não secar"




SETE CANTIGAS PARA VOAR
Composição: Vital Farias

Cantiga de campo
De concentração
A gente bem sente com precisão
Mas recordo a tua imagem
Naquela viagem
Que fiz pro sertão
Eu que nasci na floresta
Canto e faço festa
No seu coração

Voa, voa azulão

Cantiga de roça
De um cego apaixonado
Cantiga de moça lá no cercado
Que canta a fauna e a flora
Ninguém ignora se ela quer brotar
Bota uma flor no cabelo
Com alegria e zelo
Para não secar

Voa, voa no ar

Cantiga de ninar a criança na rede
Mentira de água
É matar a sede
Diz pra mãe que fui pro açude
Fui pescar um peixe

Isso num fui não
Tava era cum namorado
Pra alegria e festa do meu coração

Voa, voa azulão

Cantiga de índio
De que perdeu sua taba
No peito esse incêndio
Seu não se apaga
Deixa o índio no seu canto
Que eu canto um acalanto
Faço outra canção
Deixe o peixe deixe o rio
Que o rio é um fio de inspiração

Voa, voa azulão

sábado, 19 de maio de 2007

"Os meus vinte anos"

A música de hoje é um presente pra uma pessoa que é uma florzinha de maracujá, muito querida pelo seu jeito único de ser e muito amada por ser a grande amiga que é!! Parabéns, Ritoca!!!



A RITA
Composição: Chico Buarque

A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
O que me é de direito
E arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de são Francisco
E um bom disco de Noel

A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão

sexta-feira, 18 de maio de 2007

"Pedro não sabe mas talvez no fundo espere alguma coisa mais linda que o mundo"

Pedrinho, Pedrinho... Amigo querido que, mesmo longe, nunca deixo de lembrar! Aí vai meu presente pra ti. Sei que Chico não é seu ídolo, mas é meu e essa música que estou postando aqui é uma das mais interessantes, intrigantes e cativantes, assim como a sua digníssima pessoa! Beijo no coração!



PEDRO PEDREIRO
Composição: Chico Buarque

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando

Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro espera o carnaval

E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro está esperando um filho prá esperar também

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando

Pedro pedreiro está esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá o desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho prá esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte, esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém, esperando enfim, nada mais além
Que a esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem

Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem...
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem

terça-feira, 15 de maio de 2007

"Longe do céu, perto do mar"


Essa canção foi escrita e composta pelo meu afilhado André de Marco e tem sido tocado pela novíssima banda Osciladores Harmônicos, dos meus queridos amigos Ricardo Maciel, Leandro e André de Marco. E essa é minha homenagem a esses artistas que um dia (e sinto que não vai demorar muito...) estarão fazendo muito sucesso!! Abração pra vocês, guris!






VOCÊ E ALGO MAIS

Composição: André de Marco

Sentado na sarjeta
Onde estamos nós?
Perguntei para alguém na rua

Correndo atrás dos carros
Com a esperança ao lado
Eu entrei na contra-mão

Onde terra irá firmar
Pro barco poder ancorar
Longe do céu, perto do mar
Dentro do sol, longe do ar
Voar, pra alcançar..............Você e algo mais!

Olhando as estrelas
Onde estamos nós?
O cometa passou sem dizer

Com sapatos velhos
cansados pelo sol
que queimou no asfalto

Uma noite sem dormir
Mais um dia para agir
Longe do céu, perto do mar
Dentro do sol, longe do ar
Voar, pra alcançar..............Você e algo mais!

Toda palavra, e a tradução
O manuscrito, a explicação
Relatividade, contradição

A incerteza, a inversão
Não há certeza, indagação
E os valores, quais são?

Acordar pra não sofrer
Há muito espaço pra correr
Longe do céu, perto do mar
Dentro do sol, longe do ar
Voar, pra alcançar..............Você e algo mais!

domingo, 6 de maio de 2007

"Que futuro tem aquela gente toda?"

Nunca vi uma música traduzir com tanta perfeição uma região tão grande como o subúrbio carioca... Cada detalhe sobre a vida das pessoas nos bairros é a mais pura verdade! E, para quem duvidar, o Cristo está SIM de costas na foto!


 

SUBÚRBIO
Composição: Chico Buarque

Lá não tem brisa
Não tem verde-azuis
Não tem frescura nem atrevimento
Lá não figura no mapa
No avesso da montanha, é labirinto
É contra-senha, é cara a tapa

Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Olaria
Fala, Acari, Vigário Geral
Fala, Piedade

Casas sem cor
Ruas de pó, cidade
Que não se pinta
Que é sem vaidade

Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Desbanca a outra
A tal que abusa
De ser tão maravilhosa

Lá não tem moças douradas
Expostas, andam nus
Pelas quebradas teus exus
Não tem turistas
Não sai foto nas revistas
Lá tem Jesus
E está de costas

Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Pavuna
Fala, Inhaúma
Cordovil, Pilares

Espalha a tua voz
Nos arredores
Carrega a tua cruz
E os teus tambores

Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Fala no pé
Dá uma idéia
Naquela que te sombreia

Lá não tem claro-escuro
A luz é dura
A chapa é quente
Que futuro tem
Aquela gente toda?
Perdido em ti
Eu ando em roda
É pau, é pedra
É fim de linha
É lenha, é fogo, é foda

Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Encantado, Bangu
Fala, Realengo...

Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Meriti, Nova Iguaçu
Fala, Paciência...

segunda-feira, 30 de abril de 2007

"O seu coração é uma casa de portas abertas"

A música de hoje é um presente de aniversário para um grande amigo. É um tanto quanto clichê, mas diz um bocado sobre o que sinto por ele. Parabéns, Gabeleu!




AMIGO
Composição: Roberto e Erasmo Carlos


Você meu amigo de fé, meu irmão camarada
Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas
Cabeça de homem mas o coração de menino
Aquele que está do meu lado em qualquer caminhada

Me lembro de todas as lutas, meu bom companheiro
Você tantas vezes provou que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas
Amigo você é o mais certo das horas incertas

Às vezes em certos momentos difíceis da vida
Em que precisamos de alguém pra ajudar na saída
A sua palavra de força, de fé e de carinho
Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho

Você meu amigo de fé, meu irmão camarada
Sorriso e abraço festivo da minha chegada
Você que me diz as verdades com frases abertas
Amigo você é o mais certo das horas incertas

Não preciso nem dizer
Tudo isso que eu lhe digo
Mas é muito bom saber
Que você é meu amigo

Não preciso nem dizer
Tudo isso que eu lhe digo
Mas é muito bom saber
Que eu tenho um grande amigo

sábado, 21 de abril de 2007

"Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão e vamos botar água no feijão"




FEIJOADA COMPLETA

Composição: Chico Buarque

Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão

Mulher
Não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa nem dá lugar
Ponha os pratos no chão e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tiragosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão

Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão

Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado, que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão

quarta-feira, 18 de abril de 2007

"Lua de São Jorge brilha nos altares brilha nos lugares onde estou e vou"




LUA DE SÃO JORGE

Composição: Caetano Veloso

Lua de São Jorge
Lua deslumbrante
Azul verdejante
Cauda de pavão

Lua de São Jorge
Cheia branca inteira
Oh minha bandeira
Solta na amplidão
Lua de São Jorge
Lua brasileira
Lua do meu coração

Lua de São Jorge
Lua maravilha
Mãe, irmã e filha
De todo esplendor

Lua de São Jorge
Brilha nos altares
Brilha nos lugares
Onde estou e vou
Lua de São Jorge
Brilha sobre os mares
Brilha sobre o meu amor

Lua de São Jorge
Lua soberana
Nobre porcelana
Sobre a seda azul

Lua de São Jorge
Lua da alegria
Não se vê o dia
Claro como tu
Lua de São Jorge
Serás minha guia
No Brasil de norte a sul

quinta-feira, 12 de abril de 2007

"Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol"



NOS BAILES DA VIDA
Composição: Wagner Tiso / Milton Nascimento

Foi nos bailes da vida ou num bar
Em troca de pão
Que muita gente boa pôs o pé na profissão
De tocar um instrumento e de cantar
Não importando se quem pagou quis ouvir
Foi assim


Cantar era buscar o caminho
Que vai dar no sol
Tenho comigo as lembraças do que eu era
Para cantar nada era longe tudo tão bom
Até a estrada de terra na boléia de caminhão
Era assim


Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão
Todo artista tem de ir aonde o povo está
Se foi assim, assim será
Cantando me desfaço e não me canso de viver
Nem de cantar

terça-feira, 10 de abril de 2007

"Vaca profana, põe teus cornos pra fora e acima da manada"



VACA PROFANA

Composição: Caetano Veloso

Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas

Segue a "movida madrileña"
Também te mata barcelona
Napoli, pino, pi, pau, punks
Picassos movem-se por londres
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los "puretas"

Quero que pinte um amor bethânia
Stevie wonder, andaluz
Mas do que tive em tel aviv
Perto do mar, longe da cruz
Mas em composição cubista
Meu mundo thelonius monk`s blues
Mas em composição cubista
Meu mundo thelonius monk`s blues
Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite para os caretas


Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São paulo é como o mundo todo
No mundo, um grande amor perdi
Caretas de paris e new york
Sem mágoas, estamos aí
Caretas de paris e new york
Sem mágoas estamos aí
Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca das divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é "meu bem, meu mal"
No mais, as "ramblas" do planeta
"orchta de chufa, si us plau"
No mais, as "ramblas" do planeta
"orchta de chufa, si us plau"
Ê, ê, ê, ê, ê,
Deusa de assombrosas tetas
Gotas de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas

segunda-feira, 9 de abril de 2007

"Eu quero uma casa no campo..."





CASA NO CAMPO
Composição: Zé Rodrix e Tavito

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
e nada mais